PRECAUÇÕES ENFLURAN

Atualizado em 28/05/2016
O enflurano, como todos os anestésicos inalatórios, produz alterações nos traçados eletroencefalográficos.
Quando a anestesia1 com enflurano é aprofundada além dos limites recomendados, pode ocorrer no EEG um traçado caracterizado por alta voltagem e alta frequência, que progride através de complexos de espículas-ondas, intercaladas por período de silêncio elétrico. As vezes, tal quadro acompanha-se de atividade motora, a qual quando ocorre, assume a forma de concentrações súbitas de diversos grupos musculares, que costumam desaparecer espontaneamente ou pela redução da concentração do anestésico. Em registro eletroencefalográfico, observado em níveis profundos de anestesia1, intensifica-se pela hiperventilação e consequente diminuição da tensão parcial de CO2. Seu aparecimento constitui uma advertência de que a profundidade da anestesia1 é excessiva.
Ao reajustar-se o procedimento anestésico pela redução da concentração e/ou do ritmo da respiração assistida, a atividade motora desaparece.
A cessação imediata pode ser obtida, administrando-se pequena dose de relaxante muscular. Estudos da irrigação sanguínea cerebral e do metabolismo2, efetuados em voluntários normais, durante as alterações eletroencefalográficas não revelam evidência de hipóxia3 cerebral e a recuperação foi isenta de complicações.
Reitera-se a advertência de que enflurano intensifica os efeitos dos relaxantes musculares não despolarizantes e que, por conseguinte, as doses habitualmente empregadas devem ser reduzidas aproximadamente à metade. O enflurano deve ser usado com precaução em pacientes que, por uso de drogas ou história clínica, demonstrem ser sensíveis à estimulação cortical produzida por essa droga.
Como os níveis de anestesia1 frequentemente se alteram com a rapidez e facilidade, recomenda-se o uso exclusivo de vaporizadores que proporcionem concentrações previsíveis, com precisão adequada.
Observou-se em alguns casos uma discreta elevação dos níveis séricos de glicose4, fato que deve ser levado em consideração em se tratando de pacientes diabéticos.
Entretanto, o moderado aumento de glicemia5, que pode ocorrer durante a anestesia1 com enflurano retorna a níveis normais no período pós-operatório imediato.
Disfunção hepática6, icterícia7 e necrose8 hepática6 fatal têm sido relatadas após anestesia1 com anestésicos halogenados. Tais reações parecem representar uma reação de sensibilidade aos anestésicos. Cirrose9 ou outras anormalidades envolvendo disfunção hepática6 podem ser a base para selecionar um outro anestésico que não agente halogenado.
Antes de consumir qualquer medicamento, consulte seu médico (http://www.catalogo.med.br).

Complementos

1 Anestesia: Diminuição parcial ou total da sensibilidade dolorosa. Pode ser induzida por diferentes medicamentos ou ser parte de uma doença neurológica.
2 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
3 Hipóxia: Estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos que pode ocorrer por diversos fatores, tais como mudança repentina para um ambiente com ar rarefeito (locais de grande altitude) ou por uma alteração em qualquer mecanismo de transporte de oxigênio, desde as vias respiratórias superiores até os tecidos orgânicos.
4 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
5 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
6 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
7 Icterícia: Coloração amarelada da pele e mucosas devido a uma acumulação de bilirrubina no organismo. Existem dois tipos de icterícia que têm etiologias e sintomas distintos: icterícia por acumulação de bilirrubina conjugada ou direta e icterícia por acumulação de bilirrubina não conjugada ou indireta.
8 Necrose: Conjunto de processos irreversíveis através dos quais se produz a degeneração celular seguida de morte da célula.
9 Cirrose: Substituição do tecido normal de um órgão (freqüentemente do fígado) por um tecido cicatricial fibroso. Deve-se a uma agressão persistente, infecciosa, tóxica ou metabólica, que produz perda progressiva das células funcionalmente ativas. Leva progressivamente à perda funcional do órgão.

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