FARMACOCINÉTICA VASOGARD

Atualizado em 28/05/2016
Cilostazol é absorvido após administração oral.
Sua biodisponibilidade absoluta não é conhecida.
É extensivamente metabolizado pelo citocromo
P-450, principalmente 3A4, e seus metabólitos1
são excretados pela urina2. Dois metabólitos1 são
ativos, sendo que um deles (inibição da PDE III)
parece ser responsável por, no mínimo, 50% da
atividade farmacológica após administração do
Cilostazol. A farmacocinética é aproximadamente
proporcional à dose. O Cilostazol e seus metabólitos1
ativos apresentam meia-vida de eliminação
de aproximadamente 11 a 13 horas e se acumulam
cerca de duas vezes mais após administração
crônica. O estado de equilíbrio (steady state)
ocorre em poucos dias. A farmacocinética do Cilostazol
e dos seus metabólitos1 ativos se mostrou
similar em voluntários sadios e em pacientes com
claudicação intermitente3. A inibição da agregação
plaquetária é observada em 3 a 6 horas, com
duração do efeito por 12 horas e completa recuperação
após 48 horas.
Distribuição: Cilostazol se liga às proteínas4 plasmáticas
em 95 a 98%, principalmente à albumina5.
A porcentagem média de ligação do 3,4-diidrocilostazol
é de 97,4% e a do 4-trans-hidro-cilostazol
é de 66%. A disfunção hepática6 discreta não
afeta a ligação protéica. A fração livre de Cilostazol
foi 27% maior em pacientes portadores de
insuficiência renal7, quando comparada a voluntários
sadios. O deslocamento de Cilostazol das
proteínas4 plasmáticas pela eritromicina, quinidina,
varfarina e omeprazol não foi clinicamente
significativa.
Eliminação: Cilostazol apresenta eliminação
predominantemente via metabolização e subseqüente
excreção urinária dos metabólitos1. Baseados
em estudos in vitro, as isoenzimas primariamente
envolvidas no metabolismo8 do Cilostazol
são a CYP3A4 e, em menor extensão, a
CYP2C19. A enzima9 responsável pela metabolização
do principal metabólito10 ativo (3,4-diidrocilostazol)
é desconhecida. Após a administração
oral de 100 mg de Cilostazol, foi detectado no
plasma sanguíneo11 56% de Cilostazol, 15% de
3,4-diidro-cilostazol (4 a 7 vezes tão ativo quanto
Cilostazol) e 4% de 4-trans-hidro-cilostazol (1/5
da atividade do Cilostazol). A via primária de eliminação
é a urinária (74%) e o restante é eliminado
através das fezes (20%). Nenhuma quantidade
mensurável de Cilostazol inalterado foi
excretada na urina2 e menos de 2% da dose foi
excretada como 4'-trans-hidroxi-cilostazol. O restante
foi excretado como outros metabólitos1,
onde nenhum deles excedeu 5%. Não houve
nenhuma evidência da indução de microenzimas
hepáticas12.
Efeitos cardiovasculares: Cilostazol atua tanto
no leito vascular13 quanto na função cardiovascular,
produzindo uma dilatação não-homogênea
dos leitos vasculares14. Há uma maior dilatação
no leito femoral quando comparada com as
artérias15 vertebral, carótida e mesentéricas16. A
artéria renal17 não foi responsiva aos efeitos de
Cilostazol. Em humanos, a freqüência cardíaca
aumentou, de forma dose-dependente, em uma
média de 5,1 e 7,4 batimentos por minuto em
pacientes tratados com 50 e 100 mg, 2 vezes ao
dia, respectivamente. Em 264 pacientes avaliados
através de Holter18 houve, numericamente,
um aumento das extra-sístoles19 ventriculares e
episódios de taquicardia20 ventricular não-sustentada
nos pacientes tratados com Cilostazol,
quando comparados com placebo21. Estes
aumentos não foram relacionados à dose.
Antes de consumir qualquer medicamento, consulte seu médico (http://www.catalogo.med.br).

Complementos

1 Metabólitos: Qualquer composto intermediário das reações enzimáticas do metabolismo.
2 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
3 Claudicação intermitente: Dor que aparece e desaparece nos músculos da perna. Esta dor resulta de uma falta de suprimento sanguíneo nas pernas e geralmente acontece quando a pessoa está caminhando ou se exercitando.
4 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
5 Albumina: Proteína encontrada no plasma, com importantes funções, como equilíbrio osmótico, transporte de substâncias, etc.
6 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
7 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
8 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
9 Enzima: Proteína produzida pelo organismo que gera uma reação química. Por exemplo, as enzimas produzidas pelo intestino que ajudam no processo digestivo.
10 Metabólito: Qualquer composto intermediário das reações enzimáticas do metabolismo.
11 Plasma Sanguíneo: Parte que resta do SANGUE, depois que as CÉLULAS SANGÜÍNEAS são removidas por CENTRIFUGAÇÃO (sem COAGULAÇÃO SANGÜÍNEA prévia).
12 Hepáticas: Relativas a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
13 Vascular: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
14 Vasculares: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
15 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
16 Mesentéricas: Relativo ao mesentério, ou seja, na anatomia geral o mesentério é uma dobra do peritônio que une o intestino delgado à parede posterior do abdome.
17 Artéria Renal: Ramo da aorta abdominal que irriga os rins, glândulas adrenais e ureteres.
18 Holter: Dispositivo portátil, projetado para registrar de forma contínua, diferentes variáveis fisiológicas ou atividade elétrica durante um período pré-estabelecido de tempo. Os mais utilizados são o Holter eletrocardiográfico e o Holter de pressão.
19 Extra-sístoles: São contrações prematuras do coração que interrompem brevemente o compasso normal das batidas e são sentidas, geralmente, como uma pausa, seguida ou não de um batimento mais forte. Muitas pessoas referem que sentem como se o coração fosse parar. Podem se originar nos átrios ou nos ventrículos, sendo chamadas, respectivamente, de extra-sístoles atriais ou ventriculares.
20 Taquicardia: Aumento da frequência cardíaca. Pode ser devido a causas fisiológicas (durante o exercício físico ou gravidez) ou por diversas doenças como sepse, hipertireoidismo e anemia. Pode ser assintomática ou provocar palpitações.
21 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.

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