FARMACOLOGIA CLÍNICA EVOCANIL

Atualizado em 28/05/2016
Ação gestagena:
A progesterona é a responsável pelas alterações de secreção do endométrio1. A modificação da morfologia endometriana é mediada pela ação de receptores específicos para a progesterona, cuja síntese é modulada pela secreção do estradiol durante a fase folicular do ciclo menstrual. A progesterona inibe o seu próprio receptor, impedindo a ressíntese de receptores estrogênicos no endométrio1.
Por esta razão, a queda abrupta da secreção de progesterona ao final do ciclo é o principal fator determinante do sangramento menstrual.
Se a duração da fase lútea for mantida artificialmente por terapia exógena com progesterona, as alterações teciduais observadas no estroma2 endometriano são semelhantes às observadas no início da gravidez3.
Foram detectados receptores de progesterona em outros órgãos como as mamas4, o SNC5, a hipófise6 e o hipotálamo7.
As concentrações crescentes da progesterona observadas na gravidez3 demonstram a sua importância para a manutenção da gestação, seja por sua ação inibitória sobre a contratilidade uterina ou por seu efeito imunológico, modulando a resposta imune materna para evitar a rejeição de um tecido8 estranho, como é o trofoblasto9.
Ação anti-estrogênica:
Esta ação se manifesta principalmente a dois níveis: no endométrio1 e na mama10.
Endométrio1: Antagonismo do efeito hiperplásico dos estrógenos através de dois mecanismos: a) inibição da ressíntese dos receptores estrogênicos. Antagonismo da capacidade de resposta das células11 endometriais ao estradiol, por meio da inibição competitiva de seus receptores. b) aumento da atividade da 17-beta-hidroxi-esteróide desidrogenase, que converte o estradiol em estrona.
Mama10: as células11 epiteliais do tecido8 mamário normal reagem de forma similar às do endométrio1 nos estudos realizados "in vitro" onde se observa uma rápida diminuição da proliferação em presença de progesterona. "In vivo", a resposta inicial é um estímulo mitótico sinérgico com os estrógenos que decresce progressivamente. Apenas altas concentrações de progesterona mantidas por mais de 10 dias coincidem com um baixo nível de atividade mitótica.
Ação sobre os vasos sangüíneos12:
Recentes estudos experimentais têm demonstrado não apenas um efeito vasodilatador direto dos estrógenos sobre as artérias coronárias13, como também uma remoção da placa14 de ateroma através da degradação do colesterol15 LDL16 depositado na parede arterial. Este efeito se mantém com a progesterona natural micronizada.
Foi comprovada uma redução de 50% da placa14 de ateroma nos animais que haviam sido tratados com estrógeno17/progesterona. Do mesmo modo, a progesterona natural micronizada induz o relaxamento coronário e aórtico "in vitro". Estes dados foram confirmados em experiências em humanos, o que demonstra sua ação sinérgica por via oral.
Ação sobre o perfil lipídico18:
Ao contrário dos progestógenos sintéticos, a progesterona natural micronizada não produz modificações desfavoráveis ao perfil lipídico18.
Sua utilização em terapia hormonal de reposição (THR), conjuntamente com estrógenos conjugados eqüinos, não modifica o aumento do HDL19-C e HDL19-Apo 1.
Além disso, diminui o incremento de triglicérides20 que se observa com o uso de estrógenos orais sem oposição. Estudos de longa duração sobre a utilização conjunta de estradiol por via percutânea e progesterona natural micronizada por via oral em THR mostram um incremento significativo da HDL19-C com relação aos valores basais.
Contrariamente, tanto os não-esteróides como a medroxiprogesterona (a dose de 10 mg/dia) produzem importante redução da HDL19-C, particularmente HDL2.
Ação sobre o peso corporal e pressão arterial21:
A progesterona natural micronizada não modifica o metabolismo22 ou distribuição da gordura23 corporal e também não produz aumento de peso quando associada a estrógenos em THR a longo prazo.
Foi comprovada uma leve, porém significativa, redução da tensão arterial, tanto em mulheres normotensas quanto hipertensas após receber progesterona micronizada.
Ação sobre a coagulação24:
Não são observadas alterações nos níveis de antitrombina III, fatores de coagulação24 ou plasminogênio em THR na combinação com estradiol percutâneo. Esta combinação pode ser utilizada sem aumento do risco de tromboembolia.
Efeito tranqüilizante:
Ao contrário dos progestógenos sintéticos, que podem induzir distúrbios do sono, a progesterona natural micronizada produz um efeito fisiológico25 tranqüilizante ótimo com doses de 200 mg administradas à noite. Este efeito é mediado no SNC5 pelos metabólitos26 5-alfa e 5-beta-pregnanolona.
Antes de consumir qualquer medicamento, consulte seu médico (http://www.catalogo.med.br).

Complementos

1 Endométrio: Membrana mucosa que reveste a cavidade uterina (responsável hormonalmente) durante o CICLO MENSTRUAL e GRAVIDEZ. O endométrio sofre transformações cíclicas que caracterizam a MENSTRUAÇÃO. Após FERTILIZAÇÃO bem sucedida, serve para sustentar o desenvolvimento do embrião.
2 Estroma: 1. Na anatomia geral e em patologia, é o tecido conjuntivo vascularizado que forma o tecido nutritivo e de sustentação de um órgão, glândula ou de estruturas patológicas. 2. Na anatomia botânica, é a matriz semifluida dos cloroplastos na qual se encontram os grana, grânulos de amido, ribossomas, etc. 3. Em micologia, é a massa de tecido de um fungo, formada a partir de hifas entrelaçadas e que, nos cogumelos, geralmente corresponde à maior parte do corpo.
3 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
4 Mamas: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
5 SNC: Principais órgãos processadores de informação do sistema nervoso, compreendendo cérebro, medula espinhal e meninges.
6 Hipófise:
7 Hipotálamo: Parte ventral do diencéfalo extendendo-se da região do quiasma óptico à borda caudal dos corpos mamilares, formando as paredes lateral e inferior do terceiro ventrículo.
8 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
9 Trofoblasto: Na embriologia, é a camada de células epiteliais que forma a parede externa da blástula dos mamíferos (blastocisto) e atua na implantação e nutrição do embrião. É a camada de células que vem a formar a camada superficial da placenta.
10 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
11 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
12 Vasos sangüíneos: Órgãos em forma de tubos que se ramificam por todo o organismo. Existem três tipos principais de vasos sangüíneos que são as artérias, veias e capilares.
13 Artérias coronárias: Veias e artérias do CORAÇÃO.
14 Placa: 1. Lesão achatada, semelhante à pápula, mas com diâmetro superior a um centímetro. 2. Folha de material resistente (metal, vidro, plástico etc.), mais ou menos espessa. 3. Objeto com formato de tabuleta, geralmente de bronze, mármore ou granito, com inscrição comemorativa ou indicativa. 4. Chapa que serve de suporte a um aparelho de iluminação que se fixa em uma superfície vertical ou sobre uma peça de mobiliário, etc. 5. Placa de metal que, colocada na dianteira e na traseira de um veículo automotor, registra o número de licenciamento do veículo. 6. Chapa que, emitida pela administração pública, representa sinal oficial de concessão de certas licenças e autorizações. 7. Lâmina metálica, polida, usualmente como forma em processos de gravura. 8. Área ou zona que difere do resto de uma superfície, ordinariamente pela cor. 9. Mancha mais ou menos espessa na pele, como resultado de doença, escoriação, etc. 10. Em anatomia geral, estrutura ou órgão chato e em forma de placa, como uma escama ou lamela. 11. Em informática, suporte plano, retangular, de fibra de vidro, em que se gravam chips e outros componentes eletrônicos do computador. 12. Em odontologia, camada aderente de bactérias que se forma nos dentes.
15 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
16 LDL: Lipoproteína de baixa densidade, encarregada de transportar colesterol através do sangue. Devido à sua tendência em depositar o colesterol nas paredes arteriais e a produzir aterosclerose, tem sido denominada “mau colesterol“.
17 Estrógeno: Grupo hormonal produzido principalmente pelos ovários e responsáveis por numerosas ações no organismo feminino (indução da primeira fase do ciclo menstrual, desenvolvimento dos ductos mamários, distribuição corporal do tecido adiposo em um padrão feminino, etc.).
18 Perfil lipídico: Exame laboratorial que mede colesterol total, triglicérides, HDL. O LDL é calculado por estes resultados. O perfil lipídico é uma das medidas de risco para as doenças cardiovasculares.
19 HDL: Abreviatura utilizada para denominar um tipo de proteína encarregada de transportar o colesterol sanguíneo, que se relaciona com menor risco cardiovascular. Também é conhecido como “Bom Colesterol”. Seus valores normais são de 35-50mg/dl.
20 Triglicérides: A principal maneira de armazenar os lipídeos no tecido adiposo é sob a forma de triglicérides. São também os tipos de lipídeos mais abundantes na alimentação. Podem ser definidos como compostos formados pela união de três ácidos graxos com glicerol. Os triglicérides sólidos em temperatura ambiente são conhecidos como gorduras, enquanto os líquidos são os óleos. As gorduras geralmente possuem uma alta proporção de ácidos graxos saturados de cadeia longa, já os óleos normalmente contêm mais ácidos graxos insaturados de cadeia curta.
21 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
22 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
23 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
24 Coagulação: Ato ou efeito de coagular(-se), passando do estado líquido ao sólido.
25 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
26 Metabólitos: Qualquer composto intermediário das reações enzimáticas do metabolismo.

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