MECANISMO DE AÇÃO VISUDYNE

Atualizado em 28/05/2016

Grupo farmacoterapêutico: Outros agentes antineoplásicos; código ATC: L01 XX.A Verteporfina é um derivado monoacídico de uma benzoporfirina (BPD-MA), consiste
numa mistura 1:1 de dois regioisômeros igualmente ativos, BPD- MAC e BPD-MAD. A
Verteporfina é utilizada como um fármaco1 ativado pela luz (fotossensibilizante). O
tratamento de uma doença por intermédio de um fármaco1 ativado pela luz é conhecido
como Terapia Fotodinâmica (TFD).
A dose clinicamente recomendada de Verteporfina, por si só, não é citotóxica. A
Verteporfina só produz agentes citotóxicos2 após ativação pela luz, na presença de
oxigênio. Quando a energia absorvida pela porfirina é transferida para o oxigênio,
assiste-se à formação de oxigênio singleto altamente reativo e com um tempo de meiavida
muito curto. O oxigênio singleto provoca lesões3 nas estruturas biológicas vizinhas,
provocando uma oclusão vascular4 local, lesões3 celulares e, sob certas condições, a
morte celular.
No plasma5, a verteporfina é transportada essencialmente pelas Lipoproteínas de Baixa
Densidade.No plasma5, a Verteporfina é transportada essencialmente pelas A
seletividade da terapia fotodinâmica com Verteporfina é o resultado, além da exposição
localizada à radiação, da captação e retenção de Verteporfina de forma rápida e seletiva,
pelas células6 em proliferação rápida, incluindo as células6 endoteliais da neovasculatura
da coróide (NVC).
Em comparação com as células6 quiescentes, as células6 em crescimento/proliferação
rápida captam uma quantidade superior de Verteporfina. Os resultados de ensaios
clínicos e de estudos realizados em modelos neovasculares, utilizando olhos7 de coelhos
e de macacos, após administração intravenosa de Verteporfina seguida de tratamento
com radiação (689 nm), revelaram a oclusão seletiva dos neovasos, permanecendo
abertos os vasos coroideos normais. A oclusão dos NVC após tratamento com
VISUDYNE foi confirmada por angiografia8 com fluoresceína.
Degeneração9 da mácula10 relacionada a idade
O VISUDYNE foi estudado em dois estudos multicêntricos, duplo-cegos,
randomizados, controlados com placebo11 ( BPD OCR 002 A e B ). Foram recrutados 609
pacientes ( 402 com VISUDYNE e 207 com placebo11 ). O objetivo foi demonstrar a
eficácia a longo prazo e a segurança da Terapia Fotodinâmica ( TFD ) com verteporfina
em limitar a diminuição da acuidade visual12 em pacientes com neovascularização13 da
coróide subfoveal ( NVC ), devida à degeneração macular14 relacionada a idade ( DMRI).
Foi considerada como variável primária de eficácia a taxa de pacientes que responderam
ao tratamento, definida como a proporção de pacientes que perderam menos de 15 letras
( equivalente a 3 linhas ) de acuidade visual12 ( medida com as cartas ETDRS ) no mês
12, em comparação ao processo inicial.
Para o tratamento foram considerados os seguintes critérios de inclusão: pacientes com
mais de 50 anos de idade, presença de NVC secundária a DMRI, presença de
componentes da lesão15 clássica da NVC ( definida como uma área bem demarcada por
angiografia8 fluoresceinica ), NVC localizada na subfóvea ( envolvendo o centro
geométrico da zona foveal não vascularizada ), área de NVC clássica mais oculta ?
50% da superfície total da lesão15, maior dimensão linear de toda a lesão15, área de disco de
Fotocoagulação macular ( MPS ) e uma acuidade visual12 corrigida entre 34 e 73 letras (
isto é, cerca de 20/40 e 20/200 ) no olho16 tratado. Foi permitida a presença de lesões3
ocultas de NVC ( fluoresceina não bem-demarcada no angiograma ).
Os resultados indicam que, aos 12 meses, o VISUDYNE foi estatisticamente superior
ao placebo11 em termos de proporção de pacientes que responderam ao tratamento. Os
estudos mostraram uma diferença de 15% entre os grupos de tratamento ( 61% para os
pacientes tratados com VISUDYNE quando comparados com 46% dos pacientes
tratados com placebo11, p <0,001, análise ITT ). Esta diferença de 15% entre os grupos de
tratamento foi confirmada aos 24 meses ( 53% dos pacientes tratados com VISUDYNE
versus 38% dos pacientes tratados com placebo11, p<0,001).
O subgrupo de pacientes com lesões3 de NVC predominantemente clássicas ( N=243;
VISUDYNE 159, placebo11 84 ) foi o que, com maior probabilidade, evidenciou um
maior benefício com o tratamento. Após 12 meses, estes pacientes revelaram uma
diferença de 28% entre os grupos de tratamento ( 67% para os pacientes com
VISUDYNE comparados com 39% para os pacientes com placebo11, p<0,001); o
benefício manteve-se aos 24 meses ( 59% versus 31%, p<0,001).
Outro estudo randomizado17, versusplacebo, duplo-cego, multicêntrico, com a duração de
24 meses ( BPD OCR 003 AMD ) foi realizado em pacientes com DMRI caracterizada
somente como NVC subfoveal oculta, ou NVC clássica com a acuidade visual12 > 73
letras ( 20/40 ). Aos 12 meses, o estudo não apresentou quaisquer resultados
estatisticamente significativos nos parâmetros primários de eficácia ( taxa de
respondedores ao tratamento ).
Miopia18 patológica
Foi realizado um estudo multicêntrico, randomizado19, duplo-cego, versus placebo11, ( BPD
OCR 003 PM ) em pacientes com neovascularização13 da coróide subfoveal provocada
por miopia18 patológica. Foram recrutados um total de 120 pacientes ( 81 VISUDYNE,
39 placebo11 ). Foi conduzida uma análise de segurança e eficácia aos 12 meses, com
96% dos pacientes concluindo esta fase do estudo. A diferença na acuidade visual12 entre
os dois grupos de tratamento ao fim de 12 meses de análise favoreceram
estatisticamente o VISUDYNE. No desfecho de eficácia primário ( porcentagem de
pacientes que perderam menos de 3 linhas de acuidade visual12 ), estes pacientes
apresentaram uma diferença de aproximadamente 20% entre os dois grupos ( 86% para
o VISUDYNE versus 67% para o placebo11, p=0,011 ). A porcentagem de pacientes que
perderam menos de 1,5 linhas foi de 72% ( VISUDYNE ) versus 44% ( placebo11 ),
representando uma diferença de 28% entre os grupos de tratamento ( p=0,003).

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Complementos

1 Fármaco: Qualquer produto ou preparado farmacêutico; medicamento.
2 Citotóxicos: Diz-se das substâncias que são tóxicas às células ou que impedem o crescimento de um tecido celular.
3 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
4 Vascular: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
5 Plasma: Parte que resta do SANGUE, depois que as CÉLULAS SANGÜÍNEAS são removidas por CENTRIFUGAÇÃO (sem COAGULAÇÃO SANGÜÍNEA prévia).
6 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
7 Olhos:
8 Angiografia: Método diagnóstico que, através do uso de uma substância de contraste, permite observar a morfologia dos vasos sangüíneos. O contraste é injetado dentro do vaso sangüíneo e o trajeto deste é acompanhado através de radiografias seriadas da área a ser estudada.
9 Degeneração: 1. Ato ou efeito de degenerar (-se). 2. Perda ou alteração (no ser vivo) das qualidades de sua espécie; abastardamento. 3. Mudança para um estado pior; decaimento, declínio. 4. No sentido figurado, é o estado de depravação. 5. Degenerescência.
10 Mácula: Mácula ou mancha é uma lesão plana, não palpável, constituída por uma alteração circunscrita da cor da pele.
11 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
12 Acuidade visual: Grau de aptidão do olho para discriminar os detalhes espaciais, ou seja, a capacidade de perceber a forma e o contorno dos objetos.
13 Neovascularização: Crescimento de novos e pequenos vasos sangüíneos. Na retina, pode estar associado à perda de visão.
14 Degeneração macular: A degeneração macular destrói gradualmente a visão central, afetando a mácula, parte do olho que permite enxergar detalhes finos necessários para realizar tarefas diárias tais como ler e dirigir. Existem duas formas - úmida e seca. Na forma úmida, há crescimento anormal de vasos sanguíneos no fundo do olho, podendo extravasar fluidos que prejudicam a visão central. Na forma seca, que é a mais comum e menos grave, há acúmulo de resíduos do metabolismo celular da retina, aliado a graus variáveis de atrofia do tecido retiniano, causando uma perda visual central, de progressão lenta, podendo dificultar a realização de algumas atividades como ler e escrever ou a identificação de traços de fisionomia.
15 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
16 Olho: s. m. (fr. oeil; ing. eye). Órgão da visão, constituído pelo globo ocular (V. este termo) e pelos diversos meios que este encerra. Está situado na órbita e ligado ao cérebro pelo nervo óptico. V. ocular, oftalm-. Sinônimos: Olhos
17 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
18 Miopia: Incapacidade para ver de forma clara objetos que se encontram distantes do olho.Origina-se de uma alteração dos meios de refração do olho, alteração esta que pode ser corrigida com o uso de lentes especiais, e mais recentemente com o uso de cirurgia a laser.
19 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.

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